No início da década de 80, o Exército Brasileiro
necessitava de um veículo rápido para trabalhar em conjunto
com os equipamentos norte-americanos e nacionais
com voltagem de 24 volts. Foi solicitada à Ford do Brasil
um jipe que suprisse tal necessidade.
Em 1983, foram entregues os últimos modelos Jeep Ford
construídos no Brasil. Além dele, também foram fabricados
alguns CJ-6 e CJ-5 alongado, também conhecido como
Bernardão – equipados com motor quatro cilindros Georgia
OHC, com 91 cavalos à 5.000 rpm. Rebatizado como utilitário
modelo U50, o último Ford militarizado tem algumas
diferenças em relação aos irmãos mais antigos, como o comprimento
total do motor, que tem um filtro de ar maior,
específico para serviços pesados. Existem dois modelos de
filtro de ar desse tipo. Um possui a entrada redonda e curta,
enquanto o segundo é quadrada e mais comprida, idêntico
ao modelo usado nas picapes Ford F-100, montadas com o
motor OHC. Interessante notar que somente o jipe de 1983
possui este tipo de filtro.
O U50 1983 já vinha de fábrica com sistema de pedaleira suspensa, cilindro de freio grande – o mesmo da picape
Ford F1000 – e distribuidor com platinado de 12 volts. O
restante do sistema elétrico foi modificado. O alternador
era de 24 volts, enquanto a partida (ignição), lâmpadas e
faróis eram de 12 volts. O Jeep possuía duas baterias de 12
volts, uma instalada no lugar original, e a outra, fixada do
lado esquerdo, paralelo ao pára-lama esquerdo.
Porém, a parte que mais chama atenção dos fãs de Jeep é o
painel, bem diferente das versões anteriores. De cara ele ganhou
uma chave geral para partida elétrica, um pequeno painel desmontável
com relógios de amperímetro, voltímetro, marcador
de temperatura e marcador de combustível. O velocímetro é
parecido com o do caminhão Mercedes. Próximo à coluna de
direção há um botão para zerar o hodômetro parcial.
Ao lado direito do velocímetro foi posicionada a luz de leitura
de mapa e, à esquerda, encontra-se a chave de luz militar,
na qual há uma plaqueta que informa a mudança de luz militar
para luz civil.
Em 1983, foram entregues os últimos Jeep Ford
construídos no Brasil. O modelo foi rebatizado como U50
Na parte traseira o U50 era equipado com um banco
pequeno igual ao do carona, para o operador de rádio. No lado esquerdo há um suporte para dois tipos de rádio, o RY
20 ou PRC 77 americano, que ainda está em uso nos veículos
do Exército Brasileiro. O outro pára-lama pode receber os
modelos de rádio ERC 616, PRC 77 e PRC 10.
Na parte externa do pára-lama traseiro, são visíveis as
furações dos suportes das antenas, com um reforço na lateral.
Em baixo do rack há uma caixa de metal com uma chave
geral. Alguns jipes receberam um rack no painel para fixar
o fuzil. O Exército Brasileiro ainda conta com algumas unidades
do U50.
História guardada na garagem
O paulista Amador Rodrigues é engenheiro de desenvolvimento
de produtos em uma grande montadora de automóveis,
e também apaixonado por jipes desde os tempos de infância.
Quando ficou mais velho e com idade para dirigir, o pai
de Rodrigues comprou um Gurgel, do qual o rapaz resistiu
acreditar ser um autêntico jipe. Isso até que um belo dia ele
ficou completamente atolado em uma trilha, e foi resgatado
tempos depois por um CJ-5. Desde aquele dia o Jeep real não
saiu mais da cabeça do engenheiro.
Tempos depois e já proprietário de um jipe Engesa, Rodrigues
cismou em restaurar um 4x4 militar. Para isso, contou
com a ajuda de Angelo Meliani, colaborador de 4x4&Cia e
mecânico especializado em veículos militares antigos.
Rodrigues freqüentava a oficina de Meliani e analisava a
maioria dos jipes ruins, com muitas folgas, barulhos e trepidações.
Talvez isso explique o cuidado na restauração desse Ford.
Na realidade, essa unidade já foi adquirida em excelente
estado, pois se tratava de um modelo de rádio-comunicação,
com pouco uso. A marca de 32.941 quilômetros no marcador
entrega a pouca exigência à que o jipe foi submetido.
Para ficar do jeito que Rodrigues queria, faltavam apenas
a pintura – feita pelo proprietário na garagem de casa – os
detalhes e acessórios, pois o U50 foi comprado em leilão.
“Por incrível que pareça, o item que deu mais trabalho para
conseguir foi o limpador de pára-brisas a vácuo”, comentou
o dono. Segundo Rodrigues, o Jeep ficou com a configuração
idêntica à utilizada pelo Exército no ano em que entrou
em serviço.
A paixão de Amador Rodrigues contagiou esposa, os filhos e
até a labradora Bruxa, que não perde uma chance de dar um passeio
no Jeep com a capota abaixada. Nada boba essa garota...
| Ficha Técnica: Jeep Ford 1977 “Utilitário Modelo U50” |
Motor: Ford Geórgia OHC, dianteiro, longitudinal,
quatro cilindros em linha
Combustível: gasolina
Cilindrada: 2.300 cm3
Potência: 91 cv à 5.000 rpm
Taxa de compressão: 7,8:1
Torque: 17 kgfm a 3.000 rpm
Diâmetro x curso: 96,04 mm x 79,40 mm
Transmissão
Câmbio: quatro marchas à frente, mais ré
Tração: 4x2 com opção para 4x4 e reduzida
através de caixa de transferência
Relação de marchas
1ª - 3,57:1
2ª - 2,38:1
3ª - 1,53:1
4ª - 1,00:1
Ré - 4,23:1
Caixa de transmissão múltipla
Normal: 1,00:1
Reduzida: 2,46:1
Relação diferencial: 4,89:1 (44x9)
Suspensão
Dianteira e traseira: eixo rígido, feixe de molas semielípticas
e amortecedores telescópicos
Direção: mecânica, coroa e pinhão
Freios
Dianteiro e traseiro: a tambor, hidráulico
Rodas: 16”
Pneus: 600x16, 650x16 e 700x16
Dimensões
Comprimento: 3.440 mm
Largura: 1.710 mm
Distância entre-eixos: 2.060 mm
Bitola: 1.230 mm
Altura (sem carga): 1.733 mm
Vão livre do solo: 204 mm
Pesos
Ordem de marcha: 1.096 quilos
Bruto total: 1.701 kg
Tanque de combustível: 39 litros
Capacidade de carga: 605 quilos
Consumo médio: 6 km/l
Velocidade máxima: 120 km/h |