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DICAS :: Expedição

Caixa de transferência sem mistérios
Por Luiz Fraga

UM DOS COMPONENTES MAIS IMPORTANTES DOS 4X4 É A CAIXA DE TRANSFERÊNCIA. A PROTAGONISTA DESSA MATÉRIA É O SISTEMA RESPONSÁVEL PELA FORÇA E TRAÇÃO NAS QUATRO RODAS DOS VEÍCULOS

Montagem usual
Devido a configuração geométrica de alguns veículos com tração nas quatro rodas – motor, câmbio e eixos alinhados –, seria impossível enviar movimento até o eixo dianteiro. Seria necessário um pequeno desvio para permitir a passagem física dos eixos cardan, que se fosse feito por baixo, prejudicaria a altura livre do solo.

Então, decidiu-se deslocar os dois diferenciais – na maioria dos veículos isso é feito pelo lado do passageiro –, e os eixos de transmissão (cardans). Para ganhar o espaço necessário, os engenheiros lançaram mão do artifício de instalar mais três engrenagens conectadas. Como já estavam engrenadas, possibilitou a instalação de uma segunda caixa de marchas, ligada em série (depois) na caixa principal, e multiplicando a relação de redução da caixa.

Isso significa que, além das marchas usuais, a maior parte dos carros “traçados” possui o dobro de opções de relação de redução, do que um 4x2 convencional. Obviamente, este sistema onera o preço final do automóvel, o que explica em parte, a diferença brutal do valor de compra de um 4x2 e um 4x4.

A força extra
A força extra adquirida na saída da caixa de transferência – em alguns automóveis, o torque da primeira reduzida é três vezes maior que o da primeira normal – precisa ser dividida para encontrar o solo. É por este motivo que em veículos com o sistema 4x4 parcial, não se deve engrenar a reduzida sem estar com o 4x4 acionado – nestes veículos ainda existem travas mecânicas ou elétricas, que não permitem ao usuário este engrenamento.

Deve-se ainda considerar que para a maioria dos 4x4 disponíveis no mercado, é necessário estar numa velocidade abaixo de 5 km/h, para que o acionamento seja feito, pois o mesmo não é “sincronizado” como na caixa de marchas.

Diferenças de acionamento
Na realidade, a caixa de transferência aumenta o torque e diminui a velocidade – mesmo estando na posição high ou caixa alta, existe uma relação de redução – e, além disso, pode engrenar o diferencial dianteiro.

O acionamento é feito eletricamente, como por exemplo, a Ford Ranger, Chevrolet S10 e Troller. Ou mecanicamente – Mitsubishi L200, Suzuki Vitara, Land Rover Defender. Mas o cuidado com a operação – consulte o manual do proprietário – deve ser sempre o mesmo, pois alguns modelos com acionamento elétrico, obrigam o motorista a pisar no freio ou; freio e embreagem antes de aceitar o comando.

O acionamento da tração nas quatro rodas normalmente é feito na mesma alavanca (no caso do mecânico) ou no botão (no elétrico) e, na maioria dos veículos, somente precisa-se que esteja em linha reta para ser ativado.

Este procedimento é necessário, devido a diferença que existe entre a rotação do eixo dianteiro e o traseiro. Enquanto se faz uma curva, quanto maior for a distância entre-eixos, maior será esta diferença. É por isso que nunca se deve usar tração 4x4 – carros com tração parcial – em terrenos com muito atrito, por exemplo, no asfalto ou concreto. Terrenos com pouco atrito – lama, areia ou pedriscos –, permitem ao eixo traseiro “derrapar” e corrigir a diferença.

Se fosse possível...
Concentrar as duas alavancas em uma, como por exemplo, em um Land Rover Defender com cinco marchas, teríamos a seguinte seqüência: tabela do curso com relação de redução.

Fácil ver que a relação baixa – curta, reduzida ou low – pode ser usada neste modelo até aproximadamente 50 ou 60 km/h (use com cuidado, muito tempo em altas velocidades com a reduzida engrenada, aquecerá o óleo da caixa e trará prejuízos ao funcionamento). Consulte o manual do veículo e, lembre-se de que os carros com tração parcial – onde trafega-se em 4x4 ou 4x2 –, não permitem a engrenagem de reduzida em terrenos com alto atrito, conforme explicado acima.

Relação redução
1º reduzida 11,9022
2º reduzida 7,6393
1º longa 5,0584
3º reduzida 5,0032
4º reduzida 3,3200
2º longa 3,3467
5º reduzida 2,7589
3º longa 2,1263
4º longa 1,1411
5º longa 0,9482

Lubrificação
Atualmente,as caixas de transferência usam lubrificante do tipo Extrema Pressão (EP) com viscosidade grau 90 e especificação
API GL4 (ou GL5). Verifique sempre o nível e a qualidade do óleo da caixa, mesmo que o acesso seja difícil, por estar embaixo do veículo.
Se faltar lubrificante ou a caixa de transferência trabalhar com óleo e água misturados, acontecerão problemas graves, como por exemplo, rompimento de rolamentos, ruído excessivo,
etc. Um sintoma de que algo está errado é o vazamento do lubrificante, que escoa normalmente pelas juntas ou mesmo pelos retentores, que se localizam na saída das flanges dos cardans. Tome cuidado na hora da troca do óleo – consulte
sempre o manual do proprietário –, sob pena de causar danos irreversíveis à caixa, por uso de lubrificante inadequado.

A marcha certa
Para um off-roader experiente, a escolha da marcha mais adequada é praticamente automática, mas para quem é iniciante, a tarefa é extremamente difícil. Existem algumas regras básicas que sempre trazem sucesso na empreitada.

Descidas íngremes: use a primeira reduzida e não acione o freio. Se o 4x4 derrapar, gire suavemente o volante para o lado onde a traseira se deslocou e acelere levemente.

Subidas íngremes: tente usar a marcha mais longa possível, marchas curtas normalmente causam derrapadas.

Terrenos muito lisos: se não houver facões, use uma marcha mais longa e lembre-se de não aumentar muito a velocidade, pois ela não combina com obstáculos. Aproveite a inércia.

Areia: tente a marcha mais longa que o motor agüentar, mas não permita que o torque do propulsor e a inércia do carro se percam. Geralmente, as trocas de marcha em pleno obstáculo – independente do nível – são desastrosas.
Em resumo, a tração 4x4 e a reduzida, instaladas na caixa de transferência, viabilizaram os veículos. Sem este equipamento – qualquer que seja a forma ou tipo –, não existiria o off-road como se conhece hoje.


 

No detalhe,a caixa de transferência. Note como ela faz a conexão entre o câmbio e os diferenciais dianteiro e traseiro
Caixa transferência com as engrenagens à mostra
Caixa de transferência montada no local. Note o vazamento de óleo

 

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