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Planilha | Maria da Fé, MG

Cheia de graça
Por Isis Moretti Fotos Donizetti Castilho

A cidade de Maria da Fé – localizada ao sul de Minas Gerais, no alto da Serra da Mantiqueira – é charmosa e serena. Possui camp os e montanhas cheios de encantos e está a sua espera com diversas trilhas

Quem chega em Maria da Fé logo é envolvido por um ambiente de alegria e descontração. Com ruas de lajotas e paralelepípedos, a simplicidade do município e dos moradores traduz um clima simpático e que deixa o visitante com uma sensação de leveza e aconchego.

Cheia de graça, Maria da Fé é uma simpática cidade localizada no sul de Minas Gerais. Está situada no alto da Serra da Mantiqueira – a 1.258 metros de altitude
– e graças a isso, possui um conjunto de montanhas e cores particulares.

O nome foi dado em homenagem a uma mulher batalhadora que se chamava Maria da Fé Bernardo. Esposa de um grande fazendeiro da região, ficou viúva muito jovem e com filhos pequenos para criar. No século passado, o machismo reinava absoluto e mulher a frente dos negócios não era algo bem quisto. No entanto, Maria não desistiu, batalhou, conquistou espaço e administrou a fazenda.

Enérgica e empreendedora, mas amorosa e com um bom coração, ela adquiriu respeito diante da sociedade, que passou a admirá-la pela garra e dedicação que tinha com a propriedade, família e amigos.

Outra curiosidade é que diferente de outras cidades, Maria da Fé não começou a se formar em torno de uma igreja, e sim, ao redor da estação ferroviária, construída em 1891. Em 1911, foi outorgada com o nome atual. Hoje, possui 15.330 habitantes – segundo dados do IBGE.

Na economia, o forte já foi a batata, mas por conta da crise sofrida na década de 90, alguns produtores apostaram no cultivo de outras mercadorias.

A geografia da região – montanhosa – também não ajuda, é difícil chegar maquinário até as plantações, por isso, o serviço braçal é o mais utilizado. Porém, o mercado está saturado com a produtos vindos do Paraná, onde tudo é feito com o auxílio de máquinas. Durante o passeio que a reportagem de 4x4&Cia levantou, opbservou-se também plantações de banana e café. Há quem ainda insista na batata – que tem colheita 90 dias após o plantio.

Durante a estadia em Maria da Fé existem várias opções de passeio. A começar pelo Centro Cultural localizado na praça central, instalado no prédio da antiga estação ferroviária. O local conserva quadros de prefeitos, a história da cidade, fotos antigas da área pública e uma locomotiva modelo Baldwim nº 225 de 1918.

O prédio foi tombado pelo decreto nº 1.131/99 como Patrimônio Histórico e Artístico Municipal. A população também trabalha com artesanato, feito de fibra de bananeira e papel kraft – papelão e saco de cimento reciclado. As peças são decorativas e utilitários, como bancos, pratos e fruteiras. Quando pintados, o material utilizado é pigmento de terra natural.

O artista plástico Domingos Tótora – nascido e criado em Maria da Fé – trabalha há nove anos com a comunidade e desenvolveu o Projeto Gente de Fibra, que é uma cooperativa de artesanato com a identidade local, seguindo os moldes contemporâneos. Foi montado um espaço onde os objetos são expostos.

Bonitas, diferentes e bem caprichadas, as peças são exportadas para vários países da Europa.

A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes também merece uma visita.

Bonita por fora e linda por dentro, foi construída em 1928.

Da zona urbana à rural existe uma magia difícil de se explicar. Talvez a beleza particular das montanhas e vales das Serra da Mantiqueira façam dessa região uma grande opção para quem quer fugir do estresse e da vida turbulenta nas metrópoles.

No campo, a equipe de 4x4&Cia encontrou um roteiro magnífico.

Zere o hodômetro em frente ao coreto e da prefeitura, na rua Arlindo Zaroni. Siga até o final dela e vire a direita, na rua Nilza Pereira Costa, no km 1,1 – uma referência é a fábrica de batata palha Gold. Começa a terra, ligue o 4x4.

O primeiro destino é o Pico da Bandeira, a 1.683 metros de altitude.

É um mirante natural onde se avista algumas cidades mineiras, como parte de Itajubá, Pedralva e São José do Alegre. A noite, por conta da iluminação, também é possível enxergar Cristina e Pouso Alegre. Para prosseguir o passeio, contorne a casa e desça pelo mesmo caminho.

Nas proximidades do km 11 você estará na divisa com a cidade de Pedralva – que produz biodiesel derivado da mamona. No km 11,9, passará pelo bairro Lagoa e no km 18,6 você chegará ao bairro do Pedrão. Pare para conhecer a área, tome um refresco e visite a garagem do senhor José Valério Filho, de 83 anos. Ele possui uma espécie de antiquário com vários itens, entre relógios, telefones e até espadas da época imperial e da república – S 22º 19.068’ / W 045º 25.487’.

Prepare-se: no km 19 há uma subida forte, é necessário usar a tração e reduzida, pois além de íngreme, existem várias erosões e pedras. Devido aos obstáculos difíceis deste trecho é aconselhável ter bastante cautela, e de preferência, fazer o passeio acompanhado por outro 4x4.

Logo se alcança a Pedra do Pedrão, com uma grande cruz demarcando o local. Aprecie o visual repleto de montanhas e vales, com um misto de verde de várias tonalidades. Os raios solares e o azul do céu compõem uma obra particular da natureza. Um lugar onde o silêncio só é interrompido pelos cantos dos pássaros.

Zere o hodômetro ao lado da cruz e volte pelo mesmo caminho até o bairro do Pedrão. Ali começa uma nova rota para o retorno. O percurso passa pela antiga linha férrea e termina dentro da cidade, no km 10,8. É importante se informar sobre todas as atrações e explorar a região, que possui muitas trilhas interessantes e para todos os gostos.

Serviços

Como chegar
De São Paulo e Rio de Janeiro: seguir pela rodovia Presidente Dutra até Piquete, passar por Lorena, Delfim Moreira, Itajubá e Maria da Fé. Cuidado com o asfalto entre Lorena e Itajubá, pois há buracos.
Belo Horizonte: rodovia Fernão Dias até Pouso Alegre, pegar sentido Itajubá na
estrada que liga Fernão Dias a Dutra, depois Itajubá - Maria da Fé

Distâncias:
São Paulo: 300 quilômetros
Rio de Janeiro: 325 quilômetros
Belo Horizonte: 467 quilômetros

Onde ficar
Hotel Dona Marta - (35) 3662-1293
Pousada da Serra - (35) 3662-1301
Pousada JC - (35) 3662-1361

Onde Comer
Restaurante Fogão a lenha Três Marias - (35) 3662-2028
Pesqueiro Arco Íris - (35) 9945-0900
Lanchonete Lanche & Cia - (35) 3662-1117

Serviços
Secretária Municipal de Cultura e Turismo - (35) 3662-1135
cultura@altinformatica.com.br

Domingos Tótora Arte & Design - (35) 3662-1328 / 9134-1997
Em Maria da Fé os celulares que operam são Claro, Telemig e TIM

 

 

 


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