Evolução consciente
Por Leandro Portes
Com o advento de novas
tecnologias nas fabricações
dos carros, a preocupação das
montadoras com a natureza
parece ser definitiva. Conheça uma
empresa que trabalha junto com
o setor automobilístico e visa
diminuir os danos ambientais
A cada ano aumenta a quantidade de veículos que circulam
nos grandes centros urbanos do planeta. Já que
todo esse crescimento desenfreado parece inevitável, temos
que nos preocupar com o impacto ambiental que isso
causa. Também nos principais salões automobilísticos é
nítida a importância que vem sendo dada recentemente ao
meio ambiente, e sugeridas alternativas para brecar a emissão
de gases poluentes na atmosfera, com o surgimento
dos novos “Carros Verdes”.
Em trabalho paralelo às montadoras, a SABIC Innovative
Plastics – fornecedor mundial de resinas plásticas
utilizadas no setor automotivo – fabrica e compõe resinas
de policarbonato que oferece vantagens na substituição
do aço tradicional em carrocerias de automóveis.
A resina Noryl GTX, como é chamada, reduz o peso do
carro – se comparada a uma peça metálica, diminui em
até 50% – e, consequentemente, restringe o consumo
de combustível e as emissões de dióxido de carbono, um
dos principais gases que causam o efeito estufa. Além
disso, é potencialmente reciclável e oferece maior flexibilidade
para design.
“O uso de resina para carrocerias automotivas permite
a pintura eletrostática, como é feito o processo com o
restante da carroceria, devido a alta resistência térmica e condutividade elétrica do material”, explicou Edson Simielli, diretor
de marketing para América Latina da SABIC. O processo de acabamento
possui temperaturas que variam entre 170º C à 200º C.
O produto substitui o metal nos painéis externos, como páralamas,
e é feito com poliamida (PA) e a tecnologia de polímeros de
polióxido de fenileno (PPO) modificado. Essas resinas combinam a
estabilidade dimensional e imunidade ao calor do polímero PPO com
a resistência química e o fluxo do polímero PA. O resultado é um material
forte, com rigidez ao impacto e melhor desempenho mediante
o calor, exigidos no processo de pintura.
Para uma peça feita em Noryl GTX, o método é por injeção, que
permite a fabricação de formas complexas e a unificação de vários
componentes, como detalhes internos para fixação da peça. No Brasil,
a resina é utilizada desde 2001 pela Renaut, Citroën e Peugeot,
e no resto do mundo mais de 10 milhões de automóveis já foram
produzidos com pára-lamas moldados.
Mas não é somente nas partes metálicas que a empresa atua.
As resinas Valox iQ e Xenoy iQ também fazem parte do projeto ambiental da SABIC. Ela prolonga a vida útil de uma garrafa plástica
PET comum em até 20 anos, com o objetivo de reutilizá-las em um
processo de reciclagem que regenera os resíduos sólidos sintéticos.
O passo seguinte é aplicar na construção de peças de carros
mais limpas, seguras e com melhor desempenho, incluindo conectores,
molduras de faróis, painéis de carroceria, maçanetas etc. “Como
resultado final, minimiza-se o uso de matérias-primas baseadas em
petróleo, oferece-se uma saída para os resíduos sólidos e, assim
como a Noryl, possuí maior proteção química, térmica e ao impacto”,
garantiu Simielli.
Os fabricantes de peças podem utilizar o Valox iQ e o Xenoy iQ
ambientalmente responsáveis como soluções imediatas para termoplásticos
de engenharia comuns, pois o desempenho é equivalente
ao dos compostos, das misturas e ligas fabricados tradicionalmente.
Já os consumidores, agora podem fazer com que suas garrafas de água e refrigerante ajudem a fabricar peças de veículos que colaboram
com um ambiente mais saudável.
Por ser uma tecnologia recente, introduzida em 2007, ainda não
há aplicações comerciais no Brasil. Na Europa é usada por algumas
montadoras, como a Toyota, na criação de maçanetas.
E finalmente, a última tecnologia voltada para o mesmo segmento é a resina de policarbonato, empregada no lugar do vidro na criação de
painéis e janelas transparentes. Ela também diminui o peso bruto do
automóvel e aumenta a flexibilidade, podendo ser explorada de diversas
formas. “É importante destacar que através de um tratamento superficial
por aplicação de plasma, é obtido uma boa resistência ao risco e às
pancadas leves, como atos de vandalismo”, concluiu o diretor.
No nosso País, essa tecnologia ainda não chegou, e lá fora é
aproveitada pela General Motors, Honda, Alfa Romeo, entre outras.
Com tantas novidades e artifícios que servem à grandes indústrias
de diversos setores, vale a pena algum investimento fiscal do nosso
governo para aproveitar tudo que for benéfico para a natureza.