12º RALLY DOS SERTÕES - Por um lugar ao sol

Para os brasileiros apaixonados por off-road, o mundo pára quando o Rally dos Sertões se aproxima. São meses de preparação (homem e máquina) para encarar o desafio. Uma ansiedade sufoca o coração daqueles que se envolvem com o rali cada minuto antes e durante a disputa.
Competidores, mecânicos, organizadores e imprensa. Todos que se juntam à caravana do Sertões são seres humanos que se dedicam a prova e se desgastam a cada especial realizada, mas que sentem-se gratificados quando cruzam a linha de chegada e vêem que seus objetivos (seja lá quais eram) foram atingidos. Centenas de pessoas se mobilizam todos os anos em busca de fazer do maior rali da América Latina um acontecimento cada vez melhor.

Chegar ao final de uma maratona como o Rally dos Sertões significa muito mais que vencer a competição. Ver uma platéia em polvorosa aguardando a sua chegada e aplaudindo seu esforço não tem preço. Sentir-se um elemento da grandiosidade deste evento é algo que quem fez parte dele levará para o resto da vida, como um item muito importante para ser contado para os filhos, netos, sobrinhos...

Eu quem o diga...
Onze horas manhã do dia 30 de junho, véspera do rali. Goiânia, GO, já estava agitadíssima. Eu estava me deslocando para o parque fechado do evento – local onde as equipes montam seus boxes e fazem os últimos ajustes nos veículos – quando meu celular tocou. Era o piloto Antonio Della Torre. “Isis, tive um problema com meu navegador. O Marcos passou mal e está internado. Preciso de alguém para representá-lo durante o prólogo”. “Sim, sim, sim, aceito”, disse, empolgada pelo convite.
Só após obter a autorização da CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo – para eu poder participar da tomada de tempo, cai na real. “Vou participar, nem que por três minutos, do Rally dos Sertões. Isso é inacreditável”. Mas, até agora, não sei se isso foi bom ou ruim. Senti as emoções iniciais desta aventura, mas não pude dar continuidade a ela.
De qualquer maneira, não estava ali por um capricho simplesmente, mas sim por ter sido lembrada por um competidor. Senti-me lisonjeada pelo reconhecimento e fui tomada por uma grande emoção quando comecei a vestir o macacão. O uniforme vermelho e a sapatilha me caíram como uma luva. Parecia que haviam sido feitos para mim. Que bela sensação!
Toninho e eu fomos um dos últimos a entrar no percurso fechado, com um pouco mais de três quilômetros de pista. Minha adrenalina já estava a mil e meu coração pulsava feito louco. Cronômetro próximo de zerar. Nossos olhos atentos... 5, 4, 3, 2, 1. Meu piloto acelera a Mitsubishi L200 Evo vermelha. Começava nossa corrida contra o tempo.

| POR: Isis Moretti.:. FOTOS: Donizetti Castilho | Leia matéria na íntegra na revista impressa |

Um rali disputado. A cada dia, um novo nome no topo da classificação. Tinha tudo para ser uma grande festa, mas algo estranho aconteceu

WRC ARGENTINA - Uma paixão inacreditável

Imagine a cena: montanhas e vales no centro oeste da Argentina, com um frio seco e cortante na marca de zero graus. Um vento que congela até a alma. Ainda é madrugada quando os automóveis, picapes e motocicletas começam chegar. Amigos, casais e famílias inteiras, inclusive com bebês de colo, procuram o melhor lugar. Sem perda de tempo, nossos “hermanos” armam as pedras (abundantes na região) e a grelha. Acendem o fogo rapidamente e colocam vários tipos de carnes. O nosso famoso churrasco lá é chamado de Parrilla. Enquanto a carne assa, o frio é combatido com chimarrão (aquele com bomba, canudo de metal e mate da terra), entre outras bebidas mais “quentes”. Claro, não falta o radinho de pilha para acompanhar os

tradicionais locutores “corneteiros”, que fazem seu trabalho de forma teatral, cantada, engraçada até. Isso tudo serve de pano de fundo para acompanhar, a pouquíssimos metros de distância, as emoções do 24º Rally da Argentina e 7ª etapa do WRC – Campeonato Mundial de Rally – 2004, realizada de 16 a 18 de julho.
Todos esses fatores ficam ainda mais intrigantes quando sabemos que o público estimado para assistir a única etapa sul-americana do mundial bateu a casa de 1.700.000 espectadores. Simplesmente inacreditável!

| POR: James garcia | Leia matéria na íntegra na revista impressa |

Sem comparação com qualquer outro país das Américas, a Argentina mostra seu amor incondicional pelo rali de velocidade e prova que o automobilismo esportivo é uma paixão nacional

 
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