Chegar ao final de uma maratona como o Rally dos Sertões
significa muito mais que vencer a competição.
Ver uma platéia em polvorosa aguardando a sua chegada
e aplaudindo seu esforço não tem preço.
Sentir-se um elemento da grandiosidade deste evento é
algo que quem fez parte dele levará para o resto da
vida, como um item muito importante para ser contado para
os filhos, netos, sobrinhos...
Eu quem o diga...
Onze horas manhã do dia 30 de junho, véspera
do rali. Goiânia, GO, já estava agitadíssima.
Eu estava me deslocando para o parque fechado do evento –
local onde as equipes montam seus boxes e fazem os últimos
ajustes nos veículos – quando meu celular tocou.
Era o piloto Antonio Della Torre. “Isis, tive um problema
com meu navegador. O Marcos passou mal e está internado.
Preciso de alguém para representá-lo durante
o prólogo”. “Sim, sim, sim, aceito”,
disse, empolgada pelo convite.
Só após obter a autorização da
CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo
– para eu poder participar da tomada de tempo, cai na
real. “Vou participar, nem que por três minutos,
do Rally dos Sertões. Isso é inacreditável”.
Mas, até agora, não sei se isso foi bom ou ruim.
Senti as emoções iniciais desta aventura, mas
não pude dar continuidade a ela.
De qualquer maneira, não estava ali por um capricho
simplesmente, mas sim por ter sido lembrada por um competidor.
Senti-me lisonjeada pelo reconhecimento e fui tomada por uma
grande emoção quando comecei a vestir o macacão.
O uniforme vermelho e a sapatilha me caíram como uma
luva. Parecia que haviam sido feitos para mim. Que bela sensação!
Toninho e eu fomos um dos últimos a entrar no percurso
fechado, com um pouco mais de três quilômetros
de pista. Minha adrenalina já estava a mil e meu coração
pulsava feito louco. Cronômetro próximo de zerar.
Nossos olhos atentos... 5, 4, 3, 2, 1. Meu piloto acelera
a Mitsubishi L200 Evo vermelha. Começava nossa corrida
contra o tempo.
| POR: Isis Moretti.:. FOTOS: Donizetti
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